SAIBA O QUE É A SUPER LIGA E QUE CONSEQUÊNCIAS TRARÁ PARA A UEFA

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Super Liga europeia é um golpe de Estado com direito a constituição rasgada}
O mundo do futebol funciona a partir das mesmas regras prestabelecidas há muito tempo. Os times de um determinado país disputam um campeonato nacional, com sistema de acesso e rebaixamento para divisões inferiores. E aqueles que obtêm os melhores desempenhos ao longo de uma temporada conquistam o direito de jogar torneios continentais.
São leis que regulam a prática futebolística profissional em quase todas as nações afiliadas à Fifa. Somente os Estados Unidos, por questões de tradição esportiva interna, países de população muito pequena ou onde o futebol é incipiente não adotam esse sistema.
Dá para falar tranquilamente que esse regulamento global é uma espécie de constituição futebolística.
Por isso, o anúncio da criação da Super Liga europeia, realizada na noite de hoje, por 12 dos maiores clubes do Velho Continente (Arsenal, Atlético de Madrid, Barcelona, Chelsea, Inter de Milão, Juventus, Liverpool, Manchester City, Manchester United, Milan, Real Madrid e Tottenham), não é diferente de um golpe de estado.
A decisão de criar um campeonato para fazer frente à Liga dos Campeões, com “vagas eternas” para os clubes fundadores, zero possibilidade de rebaixamento e quase nenhum critério esportivo na definição dos participantes é uma “rasgada de constituição” capaz de fazer inveja a qualquer projeto de ditador.
Como quase sempre acontece em golpes de Estado, o motivo está longe de ser o bem geral ou o progresso da comunidade que será impactada por ele. Os criadores da Super Liga querem apenas mais dinheiro e poder.
Uma declaração resume bem esse pensamento elitista e despreocupado que impera entre os times mais poderosos da Europa: “Respeito muito o que a Atalanta está fazendo, mas eles não têm história internacional nenhuma. Tiveram uma boa temporada e, de repente, ganham acesso direto à maior competição europeia de clubes? Acham isso correto?”
A aula dessa filosofia supremacista foi dada por Andrea Agnelli, mandatário da Juventus, em março do ano passado. Para a surpresa de zero pessoas, o dirigente italiano foi agraciado com o cargo de vice-presidente da Super Liga.
A questão é que mesmo os torcedores desses clubes golpistas não parecem ter curtido muito a ideia da criação do novo campeonato. Bastou passear pelas redes sociais para perceber que a reação popular foi quase unânime: uma chuva de críticas, intercaladas com uma ou outra mensagem de prudência. Elogio mesmo foi quase impossível de encontrar.
E justamente aí que mora o grande perigo que ameaça a Super Liga e até mesmo pode colocar em xeque o futuro do futebol caso a competição realmente saia do papel e vire o torneio número um do calendário anual da modalidade.
O torcedor de futebol está tão acostumado à ideia de meritocracia esportiva que impera no “sistema Fifa”, com as emoções provocadas por metas que vão além da conquista de um título, que dificilmente irá tolerar um torneio que funciona mais ou menos da mesma forma que as ligas esportivas norte-americanas.
Essa ideia pode até prosperar com fãs que não estão tão inseridos assim na plataforma vigente do futebol (o tão famigerado mercado asiático certamente é o alvo). Só que esses consumidores normalmente não são tão apaixonados pelos clubes quanto o catalão que torce para o Barcelona ou o londrino que derrama lágrimas pelo Chelsea.
A curto prazo, a criação da Super Liga até deve dar mais dinheiro aos seus clubes criadores, que se sentirão ainda mais poderosos do que no momento do golpe. Mas ao ignorar os desejos de quem realmente gosta de futebol, o torneio corre risco de, com o passar do tempo, minar a paixão pelo esporte e, consequentemente, matar sua galinha dos ovos de ouro.

Consequências

A Uefa sofrerá um duro golpe caso, de fato, a Superliga saia do papel. A Liga dos Campeões deixará de ser o maior atrativo do futebol europeu, não somente perdendo a qualidade técnica do espetáculo, mas também enfraquecendo os cofres da instituição. Sem as principais estrelas do mundo em campo, como Lionel MessiCristiano Ronaldo e Robert Lewandowski, por exemplo, a tendência é que os patrocinadores reduzam o seu investimento ou até migrem para a nova competição. O mesmo deverá acontecer com as cotas pagas pelas emissoras de televisão. Além disso, a comunidade do futebol também aponta para uma elitização do esporte, o que aumentaria a diferença entre os mais ricos para os mais pobres.

Este é o entendimento de Mauro Beting, comentarista do Grupo Jovem Pan. “Nunca na história desse mundo aconteceu algo parecido. Para mim, a criação da Superliga Europeia é a pior decisão tomada na história”, disse o jornalista, que também vê a “banalização” dos grandes jogos. “É legal ter Real Madrid x Liverpool, mas ter toda hora será que é legal? É legal ter uma Copa do Mundo todo ano? E outra coisa: é contra o mérito esportivo, contra a origem. Pegando os quatro últimos melhores jogadores do planeta, ou seja, Cristiano Ronaldo, Lionel Messi, Luka Modric e Robert Lewandowski, todos começaram de times pequenos. Esses clubes vão ficar menores ou até mesmo acabar se esse processo de elitização continuar. Isso é um risco real”, acrescentou.

fonte: UOL esporte

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